Nada muda, se o eleitor não mudar

admin-ajaxEste ano eu fui candidato a vice-prefeito de Miguel Alves na chapa do Carlúcio. Passei quarenta dias fazendo visitas, entrando em todas as residências, tanto na cidade quanto na zona rural, falando das nossas propostas para mudar os rumos políticos e administrativos do nosso município. Defendi uma política limpa, sem corrupção e, por conseguinte, livre da ação dos corruptos.

Condenei a velha e famigerada prática da compra de votos, mas infelizmente percebi que  ela prevaleceu e foi estimulada por alguns candidatos e  pelo próprio eleitor. Constatei isso nas visitas que fiz. Não em todas, mas em grande parte das residências eu era chamado para  um particular na cozinha ou no quarto e aí ouvia as contra-propostas do eleitor: pagar as conta atrasadas de água e de luz,  cimento, tijolos, telha, madeira, dinheiro pra comprar o gás da cozinha e outras coisas mais. Quando eu dizia não posso porque isso é proibido pela justiça eleitoral, logo ouvia a frase, “mas ninguém tá vendo não”. Só me restava então uma saída, dizer não e perder o voto. E assim  fiz toda vez em que fui tentado.

Passei por isso e compreendi que quando o voto é comprado fica difícil um moço de bolso raso ser eleito, embora seja ficha limpa e tenha bons propósitos. Isso não vale. Sem generalizar, mas para muitos eleitores o que interessa mesmo é a vantagem recebida em troca do seu voto, assim como para muitos candidatos a proposta que vale é a do bolso.

É lamentável esta constatação, porém,  pra ser sincero eu não posso esconder uma verdade que colhi por onde passei. Por isso não adianta reclamar da saúde que não funciona bem, do salário que está atrasado, da estrada e das ruas esburacadas;  não adianta dizer que os políticos não prestam, não fazem nada, porque na política de hoje em dia não precisa o político ser honesto e trabalhador para ser eleito, basta apenas prometer o que não deve e dar o que o eleitor pedir e depois de eleito recuperar o que gastou para voltar munido na próxima eleição. Esta é uma regra prevalente, conquanto seja um crime previsto em lei.

Este cenário político  me fez lembrar uma frase dita pelo músico Mundoco, numa roda de bebida em Miguel Alves há mais ou menos duas décadas: “a política é que nem feijão, quando se coloca numa bacia d’água só sobem os podres”. É verdade. Os bons imergem nas águas turvas do oceano  político.

Fica o recado: NADA MUDA, SE O ELEITOR NÃO MUDAR.

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